O assunto preocupa pais e educadores mais do que nunca. Entre 1980 e 2000, o excesso de tempo em frente à TV ou ao videogame levantava discussões. Hoje, todo o entretenimento está na palma da mão. No celular, os pequenos podem acessar todo um universo de vídeos, músicas e jogos que quiserem a um clique. É fascinante ver o quanto as novas gerações já contam com acesso à informação e cultura de forma livre e fácil. No entanto, as mudanças são muito mais profundas do que parecem.

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Há quem acredite que a comodidade do celular seja o melhor caminho para acalmar as crianças em algumas situações. Sobretudo em um contexto onde as ruas já não oferecem a mesma segurança de tempos atrás. Continue até o final para seguir com a nossa reflexão apoiada em alguns estudos sobre a influência da tecnologia na infância.

Quando permitir o acesso à tecnologia?

A Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP recomenda oficialmente que o primeiro contato com a tecnologia não ocorra antes dos 2 anos de idade. Nessa fase, a criança não sabe diferenciar o real do virtual e o seu cérebro começa a ser estruturado. Mais do que nunca, o bebê precisa de estímulos de pessoas e da natureza para aumentar as conexões entre os neurônios cerebrais. Esses estímulos devem visar as sinapses responsáveis por conectar as áreas que estão amadurecendo, como a personalidade e a linguagem. É por isso que mantém-se a recomendação de usar brinquedos, livros e brincadeiras tradicionais durante essa fase. Enquanto passa seu tempo diante de uma tela, a criança não tem oportunidade de desenvolver essas áreas tão importantes. Entre os 2 e 5 anos, o uso dos eletrônicos deve ser bastante limitado. Entre uma e duas horas por dia, evitando o contato antes de dormir. Após os cinco anos, o uso deve ser personalizado. No geral, liberar o acesso às tecnologias durante a infância traz mais prejuízos que benefícios, conforme mostram os estudos a seguir.

O que dizem os estudos

Liberar o acesso às tecnologias muito cedo traz consequências negativas para as áreas física, emocional e comportamental. Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp realizada com 21 adolescentes entre 8 e 12 anos. Desses, 14 não praticavam atividade física e a sua maior fonte de entretenimento eram os eletrônicos mesmo aos finais de semana. Assim, o risco do sedentarismo também é um fator negativo. O contato com eletrônicos também prejudica o rendimento escolar. Afinal, a luz azul emitida pelos celulares atrapalha a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono de qualidade. Sem dormir bem, os resultados na escola também não são bons. Além disso, os jogos liberam doses altíssimas de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. Quando a criança acostuma-se com esse contato, os jogos tornam-se viciantes e a atenção em sala de aula é muito prejudicada. A solução deve sempre vir da família. A criança não é madura o suficiente para largar os aparelhos por sua conta própria. A recomendação é que os pais também desapeguem um pouco das telas a fim de fortalecer os vínculos entre eles e seus filhos. Até mesmo a relação familiar fica abalada diante de tanta atenção às telas e pouca entre as pessoas. Esperamos que este artigo ajude você a refletir sobre a influência da tecnologia na infância. No entanto, se for difícil para a família lidar com a situação, sempre é possível contar com ajuda especializada. Buscar a psicoterapia, tanto para crianças quanto para a família, só traz benefícios. Até a próxima!

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